A difícil harmonização de vinhos com charutos


Escolher vinhos delicados ou muito antigos e nobres, a exemplo de um grande Bordeaux, é o caminho certeiro para o desastre

Reprodução/Arquivo PessoalEscolha deve ser feita cuidado para evitar que a combinação estrague o paladar

Talvez um dos temas mais controversos que os enófilos têm enfrentado ultimamente é a harmonização de vinhos com charutos. Charutos e destilados é uma combinação bem simples e o acerto vai mais para o campo do gosto. Ainda que eu pense que o grande destilado companheiro do bom “Puro” é o rum, o scotch o acompanha muito bem. Para meu gosto, a vodka já não tem tanta empatia com o charuto, como os destilados “amarelos”.

Entretanto nosso foco, aqui, é o vinho com o charuto. E aí reside o problema, porque as chances de errar são grandes. E não falo de gosto (esse se tem ou não), mas de estragar o paladar, o vinho, o charuto ou ambos. Por evidente, escolher vinhos delicados ou muito antigos e nobres (a exemplo de um grande Bordeaux) é o caminho certeiro para o desastre! Se fosse para se estabelecer uma regra, tintos de mesa não devem ser consumidos com charutos. Creio que o mesmo valha para brancos complexos, com madeira ou manteiga. Enfim, se o apreciador de charutos quiser fazer-se acompanhar de um vinho, que seja um branco sem madeira (sauvignon blanc de entrada) ou que se parta para um espumante bem ácido e vivo (fresco), com baixo teor de açúcar residual (brut ou extra brut), independentemente se o eleito for branco ou rose. Por sinal, um espumante rose extra brut é um ótimo acompanhamento para o charuto, pois “lava” as papilas gustativas.

Entretanto é inegável que os grandes pares fermentados, para os charutos, são os vinhos fortificados. Aí o apreciador tem que conhecer a fortaleza do Puro e a acidez e untuosidade do vinho fortificado. Um bom Porto colheita envelhecido ou um Madeira Dry são os clássicos acompanhantes do charuto, Entretanto um bom Marsala (seco) ou um Jerez “agudo” também caem bem. Agora Sauternes e charutos, ao meu ver, chega a ser desrespeitoso, a um por não tratar-se de um vinho fortificado e, a dois, por não se respeitar o alto potencial gastronômico de um Sauternes, independentemente do produtor ou da idade. E, para encerrar, o grande acompanhante do charuto, de qualquer fortaleza, ao meu ver, é o Jerez Pedro Ximenes, que, refrescado, proporciona núncias de sabor e prazer únicos, criando uma equação de valorização de um com o outro, simplesmente, fantástico. Entretanto, reitero, o melhor vinho é aquele que você gosta e bebe como quer. Salut!

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.





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