Ao exonerar Milton Ribeiro, Bolsonaro pensou em salvar a própria pele 


Ministro da Educação deixou o cargo após um suposto esquema de favorecimento a pastores com recursos da pasta vir à tona

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência BrasilMilton Ribeiro é o quarto ministro da Educação a deixar o governo federal

Ao exonerar o ministro da Educação, pastor Milton Ribeiro, o presidente Jair Bolsonaro, no fundo, pensou em salvar a própria pele. As más línguas das víboras de Brasília só falam isso. E mais: a exoneração saiu com essa rapidez porque estamos em 2022, o ano da eleição presidencial. Se o presidente conseguiu livrar a cara ainda não se sabe, porque esse caso dos pastores amigos que exigiam dinheiro dos prefeitos no interior do Brasil para repassar recursos do governo ainda vai longe. A Polícia Federal já está investigando até onde chegava a interferência dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura no Ministério da Educação (MEC). Outra razão da demissão é que o escândalo estava cada vez mais perto da porta do Palácio do Planalto. Já tinha subido a rampa. E ia cair no colo do presidente. Há muito ainda a se revelar.

Com a exoneração de Milton Ribeiro, o quarto ministro da Educação do atual governo, cessa um pouco a sangria do Planalto, mas não estanca. A acusação que colocou o pastor Milton Ribeiro para fora do governo é que os dois pastores amigos tinham aproximação com o presidente, como revelam várias fotografias, e implantaram um esquema de tráfico de influência dentro do ministério. Dezenas de prefeitos de várias regiões do país estiveram no Palácio do Planalto desde que Milton Ribeiro tomou posse no MEC, em junho de 2020. Participavam de reuniões e faziam os planos sobre a propina a cobrar para facilitar o repasse das verbas federais para os municípios.

Convém dizer que o Ministério da Educação é um dos mais importantes do Brasil, com um orçamento de R$ 159 bilhões neste ano. Em um áudio que todo mundo ouviu, o ex-ministro afirmava que a prioridade dada aos pastores Gilmar e Arilton foi um pedido do próprio presidente Bolsonaro. A verdade é que os dois pastores da Assembleia de Deus Ministério Cristo para Todos, um ramo da Assembleia de Deus, tinham influência direta no orçamento do Ministério da Educação, escolhendo as prefeituras que deviam receber o dinheiro do governo, mas antes comunicavam a propina que incluía até barras de ouro de um quilo. Diziam que era para comprar Bíblias e reformar igrejas. No meio do escândalo, o agora ex-ministro divulgou uma nota desmentindo seu próprio áudio, dizendo que o presidente não priorizou o atendimento aos dois pastores, mas a todos que procurassem a pasta. O comitê particular dos pastores dentro do MEC agia com extrema desfaçatez.

Em um evento religioso recente, no Pará, foram distribuídas aos fiéis Bíblias com as fotos do ex-ministro Milton Ribeiro e dos dois pastores pecadores Gilmar Santos e Arilton Moura. Milton Ribeiro foi um ministro que só criou polêmica em tudo. Foi assim quando pensou em separar as crianças deficientes das normais nas salas de aula, dizendo que os deficientes atrapalhavam o aprendizado. Foi assim quando, homofóbico, afirmou que o gay só surge em famílias desajustadas. Foi assim quando sentenciou que a universidade é para poucos. E foi assim em um imenso número de assuntos que, no final, mostrava a cara do governo. Na sua carta de despedida, Milton Ribeiro afirmou que nunca praticou qualquer ato que não fosse pautado pela correção, pela probidade e pelo compromisso com o erário. O ex-ministro observou que tem três pilares que guiam sua vida: sua honra, sua família e a pátria. O ex-ministro pediu uma investigação completa sobre o episódio. Assinalou que sentia seu coração partido porque é um inocente que a todo custo quer mostrar a verdade das coisas. A crise não acabou – longe disso. Muita coisa ainda vai rolar. A exoneração foi rápida porque o escândalo caminhava em direção ao Planalto e porque as eleições presidenciais serão em outubro. Se fosse em outra ocasião, o ministro-pastor continuaria no seu posto por um tempo que não acabaria nunca.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.





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