Não importa se Djokovic é campeão do mundo, ele não pode burlar as regras a fazer valer sua vontade


Para o deputado Eduardo Bolsonaro, o tenista tornou-se um herói mundial, mas para a maioria revelou-se uma pessoa asquerosa

EFE/EPA/RUNGROJ YONGRITDjokovic foi deportado da Austrália por não ter se vacinado contra a Covid-19

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL), filho do presidente da República, usou as redes sociais neste final de semana para elogiar o tenista Novak Djokovic, que foi deportado da Austrália no domingo, 16, depois de tentar entrar no país sem ter sido vacinado contra a Covid-19. Djokovic, na verdade, usando de seu prestígio como tenista campeão, tentou burlar as normas sanitárias do país da Oceania, que determinam vacinação obrigatória para estrangeiros. O objetivo de Djokovic era disputar o Aberto da Austrália, no qual tentaria seu 21º Título do Grand Slam. Ocorre que a Austrália não é um país qualquer, e faz valer suas regras diante da doença. O que impressionou nessa história toda foi a insistência de Djokovic em participar dos jogos, como se a Austrália lhe estendesse um tapete vermelho com todas as honras. Mas não é assim. Djokovic, no fundo, mostrou ser uma pessoa mesquinha que pensa poder tudo e não pode. Ele não tinha nem tem o direito de entrar no país passando por cima das determinações das autoridades sanitárias. Seja quem for.

Para o deputado Eduardo Bolsonaro, o tenista tornou-se um herói mundial, mas para a maioria revelou-se uma pessoa asquerosa, desses negacionistas antivacina, o que significa ser contra a vida das pessoas que a cercam. O tenista foi deportado da Austrália neste domingo, depois de recorrer à Justiça do país, como se pudesse ignorar as regras impostas para estrangeiros e que segue à risca as determinações da ciência no combate à doença. Em gestos arrogantes, a defesa de Djokovic tentou de todas as maneiras o cancelamento do visto do tenista. Chegou a ser detido no sábado, 15, por agentes de imigração australianos. E ficou detido, com razão, até o julgamento final do episódio na Corte Federal da Austrália. Acabou deportado no país onde não poderá entrar nos próximos três anos. E de agora em diante, corre o risco de não poder mais disputar outros torneios pelo mesmo motivo e pela sua conduta pedante e irracional diante das autoridades australianas.

O comportamento de Djokovic é lastimável, especialmente quando se sabe que ele testou positivo em 16 dezembro de 2021 e, mesmo assim, promoveu e abraçou crianças num torneio infantil em Belgrado, deixando clara sua posição antivacina. Além de tudo, um grande irresponsável. Pouco importa se é o campeão do mundo. Aliás, isso nada importa. Não é por isso que ele terá direito de ignorar normas de um país para fazer valer a sua vontade. Os defensores do tenista são, na verdade, os doutrinadores da grande hipocrisia que reina atualmente, inclusive no Brasil, onde pode-se ver diariamente manifestações de todos os tipos, especialmente nas redes sociais e no jornalismo irracional, de muitos que querem ganhar tudo no grito. O negacionismo é uma doença sem cura.

Enquanto esperava a decisão para seu caso, Djokovic concedeu entrevistas mentirosas e preencheu os formulários de imigração australianos com informações falsas. Quando a deportação foi finalmente decidida, as autoridades do governo da Austrália declararam que a medida tinha o objetivo de manter a ordem pública do país. Foram 11 dias que Djokovic tentou driblar o governo australiano, com mentiras absurdas, essas próprias dos negacionistas que estão em todo lugar. Antes de ser deportado, o tenista se disse “extremamente decepcionado”, como se apenas a sua “verdade” antivacina valesse na ordem mundial. Não é assim. Ainda existem países que prezam pelos seus princípios. Djokovic não se tornou um herói mundial como quer o deputado federal filho do presidente, Eduardo Bolsonaro. Tornou-se, sim, uma figura sinistra que nos tempos atuais ele torce pela morte. Foi expulso da Austrália e já foi tarde demais. A Austrália perdeu muito tempo para resolver essa questão criminosa.   

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.





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